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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rock in Rio - por trás das transmissões


Chris Martin no show do Coldplay, considerados por muitos como o melhor do Rock in Rio 2011

     Então é isso. Após 7 dias de shows distribuídos em duas semanas, o Rock in Rio acabou com uma fina camada que separa a satisfação do "poderia ter sido melhor". Poderia ter sido melhor por causa das falhas na equalização do som  principalmente no Palco Sunset (que estragou a apresentação dos Móveis Coloniais de Acaju, por exemplo), da distribuição dos artistas na programação (imagina quão melhor seria Stevie Wonder e Elton John no mesmo dia ou Snow Patrl abrindo para Coldplay?) ou dos próprios artistas (vide os shows vergonhosos de Claudia Leitte e Ke$ha). Mas, a despeito das falhas, não dá para negar que essa quarta edição do Rock in Rio no Brasil foi um sucesso. Que o digam as 100 mil pessoas que compunham a platéia, girando as camisas no show exemplar de Skank ou cantando o coro melancolicamente maravilhoso de Fix You do Coldplay. Os hashtags referentes aos artistas tomando conta do twitter e outros memes da net, como o 'beijo' (e coloque aspas nesse 'beijo'!) de Katy Perry no fã de Sorocaba, são bons indicadores da repercussão do evento.

     Mas existe um ponto mais profundo que merece ser criticado. Talvez o ponto que desmascare a política podre que está em grande parte das negociações no Brasil. Só haviam três maneiras de assistir os shows aqui no Brasil: pela Rede Globo, de madrugada e com os shows editados; pelo Multishow, filiada da Rede Globo, que transmitiu ao vivo; ou pelo site da Rede Globo. Ou seja, em plena democracia, a Rede Globo tem o monopólio desse evento (e de vários outros), e ainda o transmite porcamente. É claro que, por não atingir o público alvo, o vulgo 'canal 10' não trocaria seu milionário horário nobre pelas apresentações de rock praticamente desconhecidas pela massa. Mas restringir o público para o canal pago não ajuda na satisfação do cliente. Sim, você poderia assistir online, mas com uma qualidade sofrível, muito delay e travando na mesma intensidade. A transmissão mundial que teve pelo Youtube foi bloqueada no Brasil para que a Globo tivesse exclusividade. Por que a MTV, por exemplo, que está a anos no ramo de musica, não poderia transmitir os shows também? Simples: a exclusividade é decidida, basicamente, por quem paga mais. Não poderia ser mais político que isso. Para quem não sabe, os serviços radiofônicos e televisivos são públicos, e o Estado que deve concedê-los aos particulares (ah, então é por isso que fica fácil para tantos políticos terem filiais de alguma emissora). O problema, então, é na lei, pois política de exclusividade sempre se mostrou um problema. Como consumidor, sei que o monopólio limita a qualidade do nosso produto. Como estudante de comunicação, sei que o monopólio distorce muitas 'verdades'.

     Não que eu esteja julgando imprudente o modo que a Globo utilizou sua exclusividade, pois qualquer empresa deve explorar ao máximo suas oportunidades. Mas imprudente é a própria exclusividade! O mesmo ocorre em jogos de futebol, copas e olimpíadas. Só agora, após tantos 'galvões buenos' é que a Record transmitirá uma Olimpíada, por exemplo. Sim, a Record, Band e outras emissoras também transmitiram ineditamente o Pan de 2007, mas isso é considerado extraordinário. Extraordinário deveria ser uma só empresa televisiva transmitir tantas vezes seguidas o mesmo evento. Desabafo à parte, espero que, para a integridade do nosso comércio midiático e pelo respeito ao consumidor, as próximas edições no Brasil (2013 e  2015) tenham uma transmissão mais livre. É triste o consumidor depender tanto de política quando o objetivo é apenas o entretenimento.

Roberto Medina (direita), idealizador do Rock in Rio, confirma a edição de 2013 no Rio.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

15 coisas que você não sabia sobre Nirvana


     Em setembro fará 20 anos que o álbum mais conceituado da banda grunge Nirvana, Nevermind, foi lançado. Entre várias comemorações e tributos, um site não-oficial (http://www.nevermind20.com/album.php/) lançará semana  que vem (19) a remasterização desta obra, que contém grandes sucessos da banda de Kurt Cobain, como Smells Like Teen Spirit, Come As You Are e Lithium. Além de várias fotos e do remix, o cd  contará com comentários de vários artistas do rock atual, como Alex Truner (Arctic Monkeys) e o baixista Flea (Red Hot Chili Peppers).
     Em uma reportagem, o site NME fez uma coletânea com 50 curiosidades sobre a banda, mas com grande foco em Kurt. Você pode conferir 15 das melhores curiosidades aqui no blog.

  Quando criança, Kurt era fascinado em desenhar personagens da Disney como o Mickey ou Pato Donald. Seu quarto era abarrotado desses desenhos.


   Kurt amava os Beatles quando criança por influência de sua tia. Aos dois anos já cantava "Hey Jude".



   Por causa da crise rebelde que o afetou após a separação dos pais, Kurt foi enviado para morar com parentes religiosos. Lá ele se tornou um cristão devotado, mas depois largou a igreja e virou budista anos depois.



   Kurt era um mal aluno. Foi expulso de casa por não conseguir nota suficiente para se graduar na High School (equivale ao ensino médio nos EUA).


   O título da música Smells Like Teen Spirit veio de uma conversa de Kurt com sua amiga, quando ela escreveu na parede de seu quarto "Kurt smells like Teen Spirit" (algo como 'Kurt cheira a espírito jovem'). Ele achou a frase um tanto revolucionária, quando na verdade Teen Spirit era o desodorante que ele usava.


   A tensão na banda começou quando Kurt reivindicou 75% dos direitos autorais das músicas por ele compor mais que os outros membros.


A MTV proibiu a banda de tocar a polêmica música  Rape Me (Me estupre) no evento VMAs em 1992, por motivos óbvios.


   A banda teve que recusar as ofertas de shows ao lado de bandas como U2 e Guns n'Roses e o festival de Lollapalooza por causa do recente suicídio de Kurt em 1994.


   Kurt tinha muitos animais de estimação, incluindo um rato e várias tartarugas.


   O álbum ao vivo da banda From The Muddy Banks Of The Wishkah só foi lançado dois anos depois de gravado. O motivo foi o impacto que a morte de Kurt, no mesmo ano em que o cd foi gravado, causou nos outro integrantes, que optaram por adiar o lançamento do álbum.


   O nome do meio da filha de Kurt é Bean porque ela parecia um feijão no ultrassom.


   Kurt sofreu com bronquite e dores no estômago durante sua vida adulta.


   A banda apoiou uma campanha do governo que considerava alguns álbuns censurado para menores de 18 anos por seu conteúdo erótico. O que era irônico, já que a banda gravou uma música chamada Rape me (me estupre).


   A famosa capa do Nevermind quase foi trocada por suspeitas de ofender o público pela nudez do bebê. Mas Kurt insistiu na ideia e declarou que se alguém se sentir ofendido por isso é um pedófilo reservado.


   As cinzas de Kurt foram espalhadas no rio de Viretta Park, que hoje é ponto turístico para os fãs.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Quinto álbum de Coldplay se chama Mylo Xyloto


     A banda britânica confirmou esta semana que o álbum sucessor de Viva La Vida se chama Mylo Xyloto (como já previam os rumores entre fãs nos fóruns da banda) e será oficialmente lançado no dia 24 de outubro deste ano. Apesar de não sair a tempo de tocar no Rock in Rio 2011, nada impede da banda tocar os singles já lançados, como vem fazendo em outros festivais. A lista de músicas que comporão o disco ainda não foi divulgada, sendo até possível que alguns dos singles oficiais (Moving To Mars, Every Teardrop Is A Waterfall, Major Minus e Paradise - este último será lançado dia 12 de setembro) não estejam no álbum.
     É interessante notar que, apesar do nome estranho do álbum, há alguma lógica por trás. A origem do nome parece remeter a um tipo de arte de rua que funde o grafite com a Pop Art, com um teor bem engajado socialmente, o Xylohttp://xylo.me/. É perceptível a semelhança da arte utilizada no álbum e o xylo, como os grafites nos muros, os signos usados quase aleatoriamente e até a fonte da letra utilizada. Então o nome Xyloto provavelmente é uma referência a esse tipo de arte. E Mylo - http://www.artofthestate.co.uk/graffiti/xylo_cctv_swastika.htm-, por sinal, é um artista desse gênero, mas a banda já declarou que não o conhece.

Semelhança entre as artes: à esquerda do Coldplay e à direita, Xylo. Clique para aumentar

     O álbum foi produzido por Markus Dravs, Daniel Green e Rick Simpson, com a ajuda do inseparável Brian Eno. Foi divulgado também que a obra sairá em três formatos: virtual, CD e vinil. Haverá também uma edição limitada que inclui o CD, o vinil, fotos exclusivas e um livro pop-up de arte grafite produzido pelo artista David Carter (livro pop-up é aquele formato quase infantil que, quando abrimos uma página, as figuras saltam do livro - veja na gravura ao lado).

     Apesar da resistência de alguns em relação ao novo trabalho do grupo, é importante ressaltar que a proposta quase subliminar da obra tem sua beleza. As suas músicas com certeza vem mudando bastante, mas a banda sempre tenta passar algo diferente para o espectador, e essa ideia tem que ser, se não compreendida, ao menos captada pelo público. E esperemos que a banda continue com essas surpresas, apesar de Chris ter dito que "cada gravação é como se fosse a última".

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

RHCP inova e fará show com transmissão mundial


     Após cinco anos de ressaca musical, a banda de funk-rock americana Red Hot Chili Peppers lançará seu décimo primeiro álbum de estúdio, I'm With You, no dia 30 de agosto deste ano. A obra é a sucessora do duplo Stadium Arcadium, que foi bem recebido pela crítica.
     A grande novidade, porém, não é o álbum em si (que invoca um certo pêsame pela falta do grande John Frusciante na guitarra), mas um grande projeto que envolve seu lançamento. A assessoria da banda informou que o show de comemoração do lançamento do álbum, que ocorre também no dia 30 de agosto, em Cologne (Alemanha), estará disponível ao vivo em salas de cinemas, em alta definição, em várias partes do mundo. O site de venda da banda - http://www.rhcplivehd.com/ - aponta 34 países que terão salas disponíveis para o show ao vivo, incluindo o Brasil.
     É um projeto elaborado e arriscado. É difícil imaginar todas as parcerias e capital investido para fazer dar certo, e tudo está depositado na confiança de que os fãs aderirão. Só nos EUA são 450 salas distribuídas por todo o país, e outros países como Itália e Alemanha também apresentam muitas salas disponíveis. As vendas dos ingressos começaram hoje (05/08) mas não são todos os países que ainda os têm. Aqui no Brasil e no Canadá, por exemplo, só começam a venda dia 12 e ainda nem é possível ver as cidades escolhidas.
     A questão de ser um show transmitido mundialmente não é a inovação. Esse mérito é dos Beatles, que transmitiram em 1967 a música All You Need Is Love para 26 países. Muitas bandas hoje também usam a transmissão, mas na internet, para mostrar seus espetáculos, o que faz parecer desvantagem sair para ver a banda no cinema quando se podia ver de graça online. A ideia da produção deste show é usar o ambiente de cinema em várias partes do globo, contando com a interação com outros fãs e com o preciosíssimo HD. A inovação, portanto, é um rascunho de um novo mercado que pode ser explorado pela quase falida indústria fonológica e pelo mercado musical em desesperado para vender. Será se a moda pega?


site da banda: http://redhotchilipeppers.com/

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Geléia do Rock

     Beto Lee, apresentador do programa.

     Quantos jovens músicos já não se imaginaram tocando em rede nacional e, melhor ainda, com grandes nomes da música? Isso é possível no programa Geléia do Rock, que passa na Multishow toda quinta-feira às 22:30h (veja mais no http://multishow.globo.com/Geleia-do-Rock-2011/). Na sua terceira temporada, o programa convocou 20 jovens na média de 20 anos (entre cerca de 1.500 inscritos) para uma experiência imperdível para qualquer músico.
    A proposta do programa é mostrar, ampliar e testar o talento dos roqueiros, que contam com suporte de profissionais como o produtor artístico Jorge Davidson. Ás vezes também há a participação especial de outros artistas, como o Marcelo D2, que dá sua opinião e auxílio para a melhoria da banda. Outro ponto interessante que o programa propõe é que não há uma banda fixa até o final do programa, ou seja, estão sempre mudando a formação das bandas até achar a que tem a melhor química.
     Mas, como nem tudo é flores, no decorrer do programa há "provas" e exercício entre as bandas (como fazer releituras de músicas bregas para o rock, compor músicas...) e também a eliminação de integrantes, e aí é que está o quê de reality show, que ajuda a prender o telespectador na trama.
     Ao final, já existem as bandas formadas e cada uma com sua composição pronta, e é impressionante ver o desenvolvimento e a evolução musical dos integrantes. Não espere, porém, que ao fim do programa a banda tenha uma exposição na mídia, porque essa não é a proposta. Dá até para arriscar que as bandas são, no fundo, independentes.

Ultraleve não venceu, mas fez bonito com a música João.

Luen, vencedora do último Geléia do Rock.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Coldplay lança novo single e divide opiniões

Nova arte de álbum do Coldplay inclui graffite

     A banda inglesa Coldplay sempre se destacou na arte de álbum, que inclui a capa do CD, os videoclipes, o estilo de se vestir e as apresentações. Seu grande marco da arte de álbum foi o premiado Viva La Vida (2008), onde os integrantes se vestiram como "soldados ao relento" e investiu pesado em suas apresentações, dando um verdadeiro espetáculo visual para os fãs.

     No fim do mês de março, a banda anunciou que lançaria um single nesta sexta (03 de junho), mas já havia lançado com antecedência em seu site oficial - http://www.coldplay.com - a letra da música Every Teardrop Is A Waterfall, seguido da arte (com fotografias e a capa do single). A primeira impressão assusta. Quem esperava algo próximo do último single (Christmas Light), no qual a banda se apresentava com um 'quê' circense, realmente se incomodou. Os integrantes estão em um cenário do subúrbio cheio de graffite (e graffitando!), mas com o mesmo desleixo ao se vestir do álbum anterior. Somado à declaração de que "como tocaremos em vários festivais de verão, era bom lançar uma música nova", conclui-se que viria uma música sem melancolia e com alguma coisa diferente. E o que que veio? Um Glass Of Water com elementos cada vez mais pop.

Capa do single, que lançou depois o videoclipe.

     Segundo o site oficial, introdução de piano é uma homenagem autorizada da música I Got To Rio, de Peter Allan. O vocalista/compositor Chris Martin só pode estar brincando de roleta russa! Os mais desavisados vão acusar novamente a banda de plágio (ou de falta de criatividade), correndo um grande risco de manchar seu nome mais uma vez. Isso porque Coldplay se envolveu em vários processos de plágio contra suas músicas (Viva La Vida e Clocks, entre outras), muitas vezes injustamente. Qualquer um com a mínima noção de comunicação social sabe que nem sempre a verdade (ou a intenção) que prevalece.

     Retomando a dinâmica da música, o estranhamento causado no início pela melodia (que se aproxima muito de um rap) dificulta a identificação dos traços mais comuns de Coldplay. Mas com o tempo, ouvindo duas ou três vezes seguidas, percebe-se a verdadeira intenção de Martin. Parece que quer repetir a fórmula da música Viva La Vida que, com batidas pop, conquistou um público muito maior e se tornou a música mais conhecida deles.

     A percepção geral do público foi boa. Os amantes do pop com certeza gostaram. As divergências ficam entre os fãs. Uma grande parte só gostou da música pelo fato de ser do Coldplay, quase como uma obrigação. Não dá para ignorar também que alguns realmente gostaram da música pelo que é. Uma minoria, porém, foi incomodada. Me tomo como exemplo, pois o que eu menos gostaria é que o próximo álbum saísse como uma experiência pop. Não há mal nenhum em um experimentalismo nesse novo gênero (U2 também passou por uma fase eletrônica), mas que eles não se esqueçam de suas origens e nem de seus fãs da música alternativa. A música, para a categoria pop é boa. Mas para o Coldplay, descartável.


terça-feira, 24 de maio de 2011

Mumford & Sons recebe três premiações internacionais

"Lend me your hand and we'll conquer them all
But lend me your heart and I'll just let you fall
Lend me your eyes I can change what you see
But your soul you must keep totally free"

                                                               Awake My Soul



     A premiação foi concedida no último domingo (22) pela Billboard Music Awards, idealizada pela revista especializada Billboard. A premiação é famosa por reunir vários artistas pop, mas também deixa um espaço para a música alternativa. Foi nessa brecha que a bucólica banda Mumford & Sons, um quarteto inglês que toca um folk com características de country, entrou para brilhar.

     O grupo realmente tem meu reconhecimento e uma qualidade única, mas foi uma surpresa sua premiação. Não pelo fato de ser premiado, mas sim pela categoria nos quais foram classificados. A banda recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Rock e de Melhor Álbum Alternativo com o disco Sigh No More (2009), uma obra de arte. Também recebeu o de Melhor Banda Alternativa. A primeira impressão não deixa nenhum desconforto, mas quando lembramos o estilo musical da banda, a última coisa que poderia ser é uma banda de rock. Só para constar, os artista tocam violão, banjo, baixo de orquestra e um piano/órgão. A percursão, quando tem, fica por conta do violonista. Na categoria de Melhor Álbum de Rock ainda disputavam Jack Johnson e Linkin Park.

Primeiro e único álbum de Mumford & Sons, Sigh No More

     Não contente com a gafe, o evento ainda tinha outra categoria que se encaixaria perfeitamente com o disco de Mumford & Sons: Melhor Álbum de Country. Porém, o vencedor deixa ainda mais revolta, afinal, que diria que a pop Taylor Swift é uma cantora de country? A credibilidade da cerimônia só parece decair, não pela qualidade dos concorrentes, mas da estrutura em si. A má organização nos faz refletir o que faz uma premiação de 2011 premiar um álbum lançado em 2009, caso de Sigh No More. As evidências só reforçam a ideia de que a  cerimônia da Billboard é apenas uma máscara, sem credibilidade artística, para a auto-promoção desta.

     A despeito desse desconforto, tive uma necessidade de comentar, mesmo que brevemente, esse álbum e essa banda que merecem um espaço maior na mídia. O líder, Marcus Mumford, formou a banda em 2007, e vale ressaltar que os outros três integrantes não são seus filhos. Marcus tem o dom de formar belas melodias e letras reflexivas (vide Awake My Soul), e a sorte de achar os instrumentistas perfeitos que dão às musicas um resultado final surpreendente. O folk-com-quê-de-country se tornou um potente sucesso no mundo alternativo, e assim surgiu o primeiro, e até agora único, álbum da banda: Sigh No More.

     As músicas mais famosas são Little Lion Man, Winter Winds e The Cave. Essas seriam o passaporte para se tornar fã da banda. As músicas são um tanto parecidas por seguirem a mesma fórmula: a introdução de melodia no violão, acompanhamento da voz rouca e potente (que Marcus nunca consegue reproduzir nos shows ao vivo), e clímax com todos os instrumentos, numa levada country, com destaque para o banjo. Mesmo assim, percebe-se que o som da banda é único.

     Sigh No More realmente mereceu, assim como o grupo, um título de reconhecimento no mundo alternativo. Tão alternativo que os integrantes fazem questão, sem vergonha, de manter um estilo como se fossem de uma vila arcaica, desde o modo de se vestir ao próprio som da banda. Enfim, esperamos que as próximas obras tenham a mesma qualidade.





quinta-feira, 19 de maio de 2011

Muse pode mudar estilo e ter o próximo álbum mais suave


     Após receber na tarde desta quinta-feira (19) o prêmio de Internacional Achievement Award - algo como Prêmio de Conquista Internacional - do Ivor Novello Awards (cerimônia que premia as melhores composições e compositores no cenário britânico), a banda Muse falou com o site NME sobre o andamento das turnês do álbum ganhador do prêmio (The Resistance) e ainda as previsões do novo álbum.

     Dominic Howard e Chris Wolstenholme, baterista e baixista do trio, respectivamente, disseram que o novo disco conta com mudanças. "Matt Bellamy já me mostrou alguns acordes", disse o baterista. "Pode sair algo mais suave, mas fica por conta minha e de Chris deixar mais pesado novamente. Uma canção de ninar de rock pesado!", ironizou Howard.


A banda na premiação do Grammy em 2011


     A idéia de mudança, ainda mais para algo mais calmo, parece incomodar alguns fãs. A justificativa se dá pela recém-experiência do premiado The Resistance, que teve músicas um tanto quanto surpresas, como a sonoridade oitentista de Undisclosed Desires ou as introduções melancólicas de Resistance United States of Eurasia. Tento deixar de lado as ferrenhas críticas de outros sobre a utilização da música Neutron Star Collision no romance teen "Crepúsculo", sendo que o próprio baixista disse que foi como "vender sua alma".


     Ainda sobre o novo disco, Chris disse que a ideia é de, entre setembro e outubro, a banda voltar aos estúdios para trabalhar as novas músicas. "Leva o tempo que for preciso [para gravar o cd], porque você tem de amá-lo antes de lançar na mídia. Mas sai definitivamente no ano que vem."


     
     Completando a entrevista, os integrantes ainda comentaram o cansaço dos shows e as participações nos diversos festivais.


fonte: http://www.nme.com/news/muse/56772

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Campeonato de Álbuns - Vote

COMEÇOU A VOTAÇÃO. CLIQUE AQUI PARA VOTAR.

     Inspirado por outros sites que também promovem esse tipo de campeonato, resolvi criar aqui no 'Me dá um lá' o Campeonato de Álbuns, reunindo desde os mais clássicos até os mais indies. As votações vão começar no dia 07 de abril, e segue abaixo o cronograma das disputas.

Clique na imagem para aumentar

     A ideia é ser um mata-mata entre álbuns de gêneros e patamares semelhantes, começando das oitavas de final. E a cada disputa farei um vídeo com o preview/resumo de cada álbum para que quem nunca ouviu a obra também possa avaliar. Participem e façam suas apostas.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Rock n'Dilma

 
     "Dilma e os músicos: só falta ela dançar no palco do Rock in Rio" - desculpe, leitor, por te fazer imaginar isso.


Dilma ganha um violão de Shakira no encontro sobre caridade.


     Para a tristeza (ou alegria) de Lula, ficou claro na campanha que Dilma Rousseff não tinha o mesmo carisma para dar que o ex-presidente. E, desde então, a Assessoria da Presidente tenta dar um brilho a mais na imagem dela com os mais diversos recursos. No twitter, por exemplo, ela (ou sua assessoria, sabe se lá se a velha sabe usar computador) tenta passar, para os mais de quinhentos mil seguidores, a imagem  de uma mulher normal, como avó, até com uma certa intimidade e sempre em primeira pessoa. Isso, de certa forma, é bom. Bom pra ela.

     Também podemos tomar como exemplo da sua busca de uma imagem mais consistente a reunião com músicos. Em março de 2011 ela recebeu a estrela Pop Shakira no Palácio da Alvorada, ganhou um violão autografado e até se arriscou a fingir que tocava. A Assessoria da Presidente divulgou que a cantora que procurou a Dilma, para discutir sobre sua ONG que ajuda crianças carentes na Colômbia. Mas desconfio se não foi a Dilma quem a procurou. De qualquer forma, como em qualquer ação política, algo só acontece se ambas as partes tem a ganhar. Já sabemos que Dilma ganhou as manchetes.

     E agora, na primeira sexta-feira de abril (08), nada menos que U2, a famosa banda de rock irlandesa, vão sentar na poltroninha do Palácio. E nem precisa inventar pretexto: Bono Vox não perde uma chance de se reunir com políticos. Eleito o 'homem do ano' pela revista Time em 2006, Bono tem um currículo de doações e caridades bem vasto. Ele até se reuniu com Lula em 2006 para falar sobre os projetos sociais. Com Dilma não será diferente.

     Depois da reunião a banda segue para São Paulo onde vão fazer shows nos dias 9, 10 e 13, no Morumbi. E resta ver se as conversas da presidente com as estrelas internacionais resultem em algo novo, que tenha eficiência. Afinal, ninguém merece começar o ano acreditando no 'PAC 2' se a primeira versão não foi o esperado.

U2 vem para Brasília numa mera formalidade: show só em SP.

sábado, 2 de abril de 2011

Sim, ele vem!


No tour de seu álbum "To The Sea", Jack Johnson volta para o Brasil
  
     Apesar de ter colocado em dúvida a vinda do músico-surfista Jack Johnson em umas das minhas antigas postagens (confira também na mesma postagem a análise do novo álbum dele), prevaleceu a possibilidade da vinda dele. Ontem foi confirmado em seu site oficial - http://jackjohnsonmusic.com/tour - não só a vinda pra Brasília, mas também para Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Fortaleza, Florianópolis, Porto Alegre e Rio de Janeiro!! Haja praia pra esse novo cabeludo, que vai de dar um belo passeio pelo Brasil.

     O Brasil é o país que mais recebe shows do músico, que também passa na Argentina, Espanha, Suíça e outros países europeus. Por aqui as apresentações ficam entre o fim de maio e o começo de junho. Segue abaixo o cronograma das apresentações:

21/05 = São Paulo (ingressos à venda)
24/05 = Belo Horizonte
25/05 = Brasília
27/05 = Fortaleza
28/05 = Recife
02/06 = Porto Alegre
03/06 = Florianópolis
05/06 = Rio de Janeiro (vendas a partir de 08/04)

*venda de ingressos dos outros shows a partir de 12/04


     É incrível como os mais remotos rumores sempre estão certos! Jack Johnson com certeza vai dar uma temperada na lista de músicos internacionais que vem para cá em 2011, além dos que vem para o Rock in Rio (que nem está tão rock assim). Aliás, eu também tinha feito um post sobre o Rock in Rio, confira também. Bem-vindo, Jackão! Mais uma vez, por sinal.

Jack em um show em Santa Bárbara, Califórnia.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Faroeste Caboclo - o filme

 "Toca um Faroeste aí..."


     A saga do querido anti-herói João de Santo Cristo, depois de tantos boatos, finalmente vai para as telonas do cinema. A música Faroeste Caboclo, que foi composta por Renato Russo na sua época época de Trovador Solitário, narra a história que saiu de Salvador para tentar ganhar a vida em Brasília, a cidade do futuro, mas, pela maldade do destino, acabou se envolvendo no tráfico.

     A trama tem tudo para se tornar mais um sucesso no novo gênero de 'bandidagem' do cinema (que inclui Cidade de Deus, Tropa de Elite, Meu Nome Não É Johnny, entre outros). É até estranho que até agora o projeto não tinha saído do papel. Culpem a burocracia pela demora no começo do projeto (está há 3 anos em andamento), pois os idealizadores da Gávea Filmes, que está comandando o projeto, tiveram que enfrentar a empresa Tapajós, dona dos direitos autorais da música, mesmo com o apoio da família de Renato Russo. O processo está em andamento, e se a Tapajós vencer, o filme não poderá contar com a trilha sonora do Legião. Seria ridículo se uma obra prima como essa simplismente não contasse com a música que a inspirou. Esse, meus caros, é o retrato das companhias que preferem o dinheiro aos valores.

     Enquanto a parte feia, da papelada, se embola ainda mais, a parte artística progride. A produção contará com Paulo Lins, que também participou do roteiro de A Cidade de Deus, e com a direção de René Sampaio que, apesar de estar estreando em longa-metragens, já fez muitas peças publicitárias e trabalhos no exterior. Ele, aliás, é formado em Comunicação da Universidade de Brasília. No elenco, Fabrício de Boliveira encarnará João de Santo Cristo, Isis Valverde será Maria Lúcia e Felipe Adib, o 'vilão' Jeremias. O resto do elenco, especula-se, será brasiliense. Há até uma promoção onde você que é fã pode participar de uma das cenas gravadas - mas já está finalizado. Com um grupo consistente como esse, mais uma vez aumenta as expectativas.

Boliveira, Valviverde e Adib, respectivamente, os atores protagonista

     Durante o desenvolvimento do projeto, houveram muitas pesquisas sobre como era Brasília no tempo da história (anos 70), tanto da urbanística como na questão da violência e atitudes dos moradores, há algumas semanas a produção já viajou para a capital para decidir as locações e começar as filmagens. O filme está previsto para o segundo semestre de 2011. E mais, o site da Gávea Filmes promete surpreender o espectador pela forma como a história será contada. Esperamos que seja uma boa surpresa.

A diferença de Brasília na época da composição e hoje



segunda-feira, 21 de março de 2011

Rock in Rio - Você vai?


"Você vai pro Rock in Rio?"
"Pois é, cara, tô querendo ir"



     É assim que parece que os amantes da música parecem estar se preparando para um dos maiores eventos musicais do mundo. Promovido primeiramente em 1985 pelo empresário Roberto Medina, o evento fez um enorme sucesso ao integrar diversas bandas consagrados, como Queen e Iron Maiden. Agora, na quarta edição no Brasil, o Rock in Rio retorna à cidade de origem.

     Só no Brasil, aliás, para a Cidade do Samba virar Cidade do Rock, e 'rock' virar metonímia de 'música que faz sucesso'. Isso porque os maiores eventos serão estrelados por ícones do Pop, como Rihanna, Elton John, Shakira e Katy Perry. Isso sem falar na Ivete Sangalo ou Claudia Leite. É claro que ainda há os representantes do Rock com 'r' maiúsculo, como Guns N'Roses e os cabeludos do Dia do Metal. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, mas o cenário musical internacional oferece outras boas opções do rock, como o som dançante de The Killers e o rock áspero de The Strokes. Até o experimentalismo surreal de Radiohead combinaria.

     Porém, o próprio propósito do evento parece ser essa mistura de gêneros, exemplificado pelo Palco Sunset, onde dois ou três bandas/artistas se juntam para mostrar ao mundo que a criatividade e experimentalismo não têm fronteiras, das 14h às 19h. Onde mais se veria, por exemplo, o MPBista do Ed Motta com o som romântico português do Rui Veloso?


     Tão grande quanto o repertório e fama do elenco de músicos é a dimensão da área destinada ao evento: 150 mil m² (pouco maior que a área total construída do Maracanã). Imagine uma festa grande. Não, não, imagine uma festa ENORME. Tem montanha russa, lojas, propaganda, lanchonetes, propaganda, roda-gigante, propaganda, dois palcos, miradouros e, adivinhe só, propagandas. É o que promete. Você pode ver abaixo um breve vídeo de como os idealizadores esperam que seja:



     O Rio de Janeiro está em uma boa onda: tomou os morros de volta, recebeu o Obama, vai sediar mais uma vez o Rock in Rio, a Copa do Mundo e, ineditamente, as Olimpíadas. Não poderia estar mais nos holofotes. A questão é se esses eventos de proporções colossais estão realmente desenvolvendo a cidade de acordo com seu potencial ou não passa de mais uma propaganda que mostra a casa como os donos queriam que fosse? É claro que o Rock in Rio é uma iniciativa privada, mas deve-se valer então do próprio lema que promoveu para o evento: 'Por um mundo melhor'. Atualmente, ser politicamente correto é quase uma obrigação para as empresas e instituições, mas usar essa bandeira em vão só desvaloriza essa idéia.

     Olhando para o lado estrutural do complexo (batizado de Cidade do Rock), os fãs iriam ter um dia inteiro de diversão, tendo vários recursos como os shows no Palco Sunset (que comentei lá em cima), brinquedos, e   outras coisas. Isso seria um aquecimento para a grandiosidade do mais esperado: os shows internacionais no Palco Mundo. Isso que o povo pede. Isso que o povo quer. A programação promete um espetáculo sonoro inesquecível, e eleva muitos brazucas para o esplendor do Palco Mundo, como a banda de britpop Skank, o rock de NxZero e até a Ivetinha e Claudinha Leite. A programação comentada segue abaixo:

-O primeiro dia o Palco Mundo é 100% Pop.


Móveis Coloniais de Acaju                              Elton John
/Orquestra Rumpilezz/Mariana Aydar          Rihanna
                    +                                             Katy Perry
Ed Motta/Rui Veloso                                    Claudia Leite
                    +
              Outros                          


-O segundo dia tem mais brazucas no Palco Mundo.


Milton Nascimento/Esperanza         Red Hot Chilli Peppers
Spaldinig                                                Snow Patrol
                    +                                         NxZero
Tulipa Ruiz/Nação Zumbi                           Capital Inicial
                    +                                         Stone Sour
              Outros                            



-O terceiro dia é do Metal

Andra/Tarja Turunen                              Metallica 
                    +                                     Motorhead
Sepultura/Tambours du Brokx                 Slipknot
                    +                        Coheed and Cambria
              Outros                            



-Cinco dias depois do show anterior??!! O pessoal do Metal faz um estrago danado mesmo, viu.

Cidade Negra/Martinho                         Shakira
da Vila/Emicida                                  Ivete Sangalo
                    +                                  Jota Quest
Monobloco/Macaco                              Marcelo D2
                    +                                  Lenny Kravitz
              Outros                                



-O sexto dia tem Coldplay de volta pro Brasil.


Erasmo Carlos/Arnaldo                         Coldplay
Antunes                                             Skank
                    +                                        Frejat                                  
              Outros                                



-No último dia Guns fecha com chave de ouro.

Mutantes/Tom Zé                            Guns N'Roses
                    +                                      
Titãs/Xutos&Pontapés                              Pitty               
                    +
Marcelo Camelo/convidado
                    +                                                                          
              Outros                                





     Os mais apressados já devem ter adquirido os ingressos através dos diversos concursos promovidos, o cartão do Rock in Rio ou coisas do gênero. Mas a venda oficial dos ingressos foi antecipada para o dia 07 de Maio R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia-entrada) - conforme mostra o site oficial : http://www.rockinrio.com.br. Quem demorar para comprar possivelmente ficará na mão dos cambistas (na outra edição, os ingressos esgotaram em apenas 21 dias), ou assistir aos shows em casa.