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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Banda Do Mês - Selton

Biografia e análise das obras de SELTON. Mini-documentário ao final do post.



     No atual cenário musical e mercadológico, é fácil perceber as adaptações que as novas bandas fazem em relação às bandas de dez anos atrás. Não é de hoje que o download gratuito é um pesadelo para as gravadoras (apesar das medidas tomadas pelos governos, como a proibição do Lime Wire, um dos maiores portais de compartilhamento gratuito de arquivos), mas os resultados são muito mais perceptíveis agora. O conceito e o impacto de um álbum não é mais o mesmo, o modo de conquistar o público não se limita à mídia de massa e o valor da música adquire um tom muito mais artístico que material. É nesse cenário que as novas bandas têm que se reestruturar, e a banda Selton não foge à regra.
     Ironicamente, hoje a Internet é a maior aliada na divulgação das novas bandas, como acontece com Selton. Divulgar músicas, vídeos e se comunicar com fãs e com a mídia (como a entrevista que eles deram, com muita boa vontade, a esse blog) são algumas das milhões de ferramentas que a Internet proporciona. Por isso que as bandas de hoje tem uma relação muito mais dialética com os fãs, e isso é essencial para Selton. Aliás, a carreira da banda é um tanto peculiar: uma banda brasileira que tocava música britânica na Espanha até fechar contrato com uma gravadora italiana e ganhar reconhecimento na Europa. Nesse contexto, a banda vai precisar de toda essa estrutura da informática e da continuidade dos trabalhos já feitos pela Europa para conquistar o público brasiliero.

Formação e primeiros anos


Selton tocando no Parque Guell


     Ramiro Levy (voz, guitarra e ukelele), Daniel Plentz (bateria e voz), Ricardo Fischmann (voz, teclado e guitarra) e Eduardo Stein (baixo e voz) eram colegas no Colégio Israelita de Porto Alegre. Cada qual tomou seu rumo - Daniel e Eduardo estudaram publicidade e Ramiro e Ricardo, psicologia - mas ainda compartilhavam um mesmo interesse: passar uma temporada no exterior. Pelo acaso do destino, todos foram para Barcelona, na Espanha, e acabaram se encontrando por lá. Resolveram montar uma banda e fazer covers dos Beatles no Parque Guell, uma famoso ponto turístico - chegaram a gravar um disco só de covers deles. A quantidade absurda de turistas que os admiravam, a qualidade sonora e a valorização do artista de rua resultou em uma renda considerável para o grupo, que preferiu essa atividade a trabalhar como garçom ou caixa de supermercado (empregos comuns de quem faz intercâmbio).
     É claro que não eram tudo flores, e os rapazes se esforçavam muito para continuar com o trabalho bem feito. Mesmo após as noitadas de Barcelona a banda se reunia logo de manhã para trabalhar. "Parece besteira, mas era realmente um ato de heroismo...", disse Ramiro, o guitarrista e vocalista da banda. "Acho que nem os beatles conseguiam cantar 'She Love´s You' às dez da manhã. A gente teve que aprender".
     A banda já estava a dois anos nessa rotina e, apesar da grande satisfação para eles, essa aventura tinha data marcada para acabar. Pretendiam, no verão que se aproximava, voltar para casa e à suas vidas normais,  mas não aconteceu como o esperado. Em mais um dia normal, entre os vários turistas que paravam para falar com eles, um deles era o produtor da MTV italiana. Receberam a proposta de tocar no programa Italo-Spagnolo, que é gravado em Barcelona, mas transmitido na Espanha e Itália. Aceitaram a proposta e lá conheceram o produtor musical do programa, que adorou a banda e ofereceu um contrato com sua gravadora em Milão. Esse foi o momento em que mudou a perspectiva da banda e sua trajetória.


Banana à Milanesa
Capa do disco Banana à Milanesa, que ganhou 4 estrelas pela revista Rolling Stones. "Saber que de algum modo a nossa arte é apreciada pelo publico é realmente uma sensação sem nome".

     Os integrantes se viram diante de um dilema: voltar para casa, terminar os estudos e ter uma vida normal; ou aceitar a proposta do produtor italiano, que realmente acreditava na banda. Decidiram, portanto, pela segunda opção e assinaram um contrato de três anos com a Barlumen Records, que previa também o lançamento de dois discos.
     O primeiro deles, Banana à Milanesa (2008), pode ser exatamente a interseção entre o Brasil e a Itália. Começando pelo nome, que faz alusão à brasileiríssima fruta tropical, a banana, à moda milanesa (empanadas e fritas), lembrando que Milão é uma das principais cidades italianas. Por outro ângulo, vemos quatro gaúchos cantando clássicos italianos (Jannacci e a dupla Cochi e Renato) traduzidos para o português e com arranjos de rock e MPB. Algumas músicas, como Malpensa, realmente lembram as canções de Chico Buarque. Mas não é uma admiração secreta, já que também há uma composição do próprio Chico na álbum: Pedro Pedreiro. Apesar do repertório, o grupo garante que não pretendia atingir nenhum público específico, apenas se identificaram com a música e fizeram seu melhor.  
     O fato de uma jovem banda brasileira cantar essas músicas dos anos 60 não significou uma limitação do público. Por incrível que pareça, Selton tem um grande apoio dos jovens, seja pelas renovações que deram às musicas ou pela própria irreverência do grupo, que invoca o carisma. Redescobrir clássicos subestimados da música italiana foi um trabalho peculiar do grupo. "Acho que foi uma das melhores surpresas que o disco trouxe", reflete Ramiro.


Cochi, uma das influências do álbum, também participou de algumas músicas. 

     O disco possui 13 faixas, todas intercaladas por barulhos ou conversas entre os integrantes que ocorrem ao término de cada música, o que é incômodo, mas apenas uma expressão da irreverência da banda. Por ser um disco de releituras, a personalidade da banda se limita aos arranjos, que são um tanto diversos. Oscilam entre MPBs como Pedro Pedreiro e La Cosa Rosa e as músicas italianas que lembram até uma marchinha (vide La Gallina e Canção Inteligente), mas tem ápices do rock com La Quiniela e Banana à milanesa, a faixa-título.
     Para quem valoriza a boa poesia, Banana à Milanesa, cumpre sua parte. Mérito do compositor Jannacci e da tradução dos rapazes. É a Vida, logo no início, é um dos pontos altos do CD. Jannacci, aliás, é considerado um dos gênios da música italiana, e, apesar de ter uma temática cômica em suas música, não é essa a proposta do álbum. O máximo do cômico (se não trágico) que há é a trova Eu Vi Um Rei que, conduzido pelo ukelele e com um diágolo genial entre o coro e o vocal principal, conta toda a desgraçada submissão dos servos ao rei, bispos e à classe dominante em si.
     Com o término das gravações do álbum, afim de promovê-lo e ganhar visibilidade, a banda programou mais de 200 shows (divididos em três turnês) por toda a Itália. Isso ressalta o fato de que, para ganhar reconhecimento, uma banda tem que estar sempre se reinventando e procurando todas as formas de atingir o público. A banda também tem crédito por tocar em festivais dos quais participaram bandas conceituadas como Jamiroquai, Deep Purple e Massive Attack.
     Selton, percebe-se, não é uma banda qualquer. Só o fato de cantar algumas músicas em italiano e inglês já causa estranhamento nos italianos. "Como assim uma banda brasileira que não faz axé ou bossa nova? Como assim uma banda brasileira cantando em italiano e inglês?" diz Ramiro, reproduzindo a surpresa de seu público. "É como se automaticamente ao vir pra cá, sendo brasileiros e fazendo rock, a gente tivesse comprado algumas brigas".
     
Selton, o 2º disco



     Após ganhar a mídia italiana através de revistas (Vanity Fair, La Repubblica, entre outras) e canais de TV (MTV, SKY TV, entre outros) e até ganhar o prêmio Targa Bigi Barbieri de artista revelação do ano, Selton preparava o terreno para a obra que realmente é a cara deles, o segundo disco - que leva o nome da banda, Selton (2010). O álbum foi produzido por Tommaso Colliva, que já trabalhou com as bandas Muse e Franz Ferdinand, e Massimo Mortellotta. É importante frisar que, apesar desse assédio gringo, a banda é genuinamente independente, no sentido de que não se submete aos valores da música e da cultura de massa.
     É comum em algumas grandes bandas, como Coldplay, haver um grande avanço de qualidade entre o primeiro e o segundo disco. No caso de Selton, o avanço não é na qualidade, mas no conceito da banda. O quarteto que reproduzia as "músicas de velho" agora tem outras 13 faixas de composições próprias. A verdade é que eles já vinham compondo desde Barcelona, por sugestão do produtor que tinham acabado de conhecer. "Ele disse que nós éramos uma banda incrível, que tudo o que nos faltava para virar uma banda de verdade era compor", relembra Ramiro. "Nesse momento houve um 'click' na cabeça de nós quatro e a gente começou a compor, assim, de repente".
     É claro que dois anos tocando Beatles na rua e mais dois anos de gravação e apresentações de seus covers de Banana à Milanesa haveriam de marcar a banda. Percebe-se uma grande influência dos garotos de Liverpool no modo como os integrantes reproduzem o vocal de apoio. Esses falsetes são marcantes em Non Lo So e Anima Leggera, as faixas mais famosas do disco - ambas ganharam videoclipes. Non Lo So, por sinal, pode ser considerado o grande sucesso deles. Mais de 180 rádios já a tocaram.
     Io Voglio Cambiare (Eu Quero Mudar, na versão em português), em uma análise mais cuidadosa, é exatamente a síntese da carreira da banda. O coro é quase um clichê dos beatles; o formato da música e as partes faladas da música é uma influência de Jannacci; a mudança do instrumental, com mais guitarra e riffs, representa a diferença instrumental, as vezes sutil, entre os álbuns. 
     As demais composições do álbum não passam longe dessa análise, e aos poucos reflete na maturidade das composições. Be Water e Io Vorrei, por exemplo, inspiram tranquilidade (menções honrosas para os assovios melódicos desta última). Com um trabalho desses é merecida uma visualização maior do álbum. Por isso que a banda está em turnê e já fizeram mais de 40 shows, inclusive no Brasil. Passaram por São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, apenas. Mas, segundo a banda, voltarão ao Brasil em novembro.
     Selton é uma banda que, mesmo começando em terras gringas, seria um bom acréscimo á música brasileira. Segundo a eles, "uma banda se constrói com boas musicas, trabalho e continuidade. Agora o próximo passo em relação ao Brasil é dar continuidade ao trabalho que a recém começamos".



mini documentário sobre a banda


DOWNLOADS:
-BANANA À MILANESA (2008): http://itunes.apple.com/pt/album/id295828293
-SELTON (2010): http://itunes.apple.com/pt/album/selton/id405044562
* a banda disponibiliza algumas músicas gratuitamente em seu myspace: http://www.myspace.com/seltonselton

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Banda Do Mês - Sigur Rós

Biografia e análise das obras de SIGUR RÓS. Mini-documentário ao final do post.



     O mundo da música alternativo é realmente impressionante. As vezes, ao procurar em um canto, é possível encontrar bandas maravilhosas com um enorme potencial de destaque na mídia. Mas é exatamente isso que faz a diferença: estar alheio à indústria da cultura dá uma liberdade a essas bandas, o que resulta não apenas em obras belíssimas, mas no próprio processo criativo. E Sigur Rós [si ur rous] é a banda modelo, cuja carreira se enquadra perfeitamente nesse exemplo.

     Para começar, a banda se formou em 1994 na longínqua Islândia (aquele paisinho gelado que quase nunca lembramos de sua existência), na capital Reykjavík. O líder, o vocalista e guitarrista Jónsi Birgisson já tinha participado de uma banda de grunge e é fã declarado de Iron Maiden. São fatos completamente surpreendentes, já que o estilo da banda se afasta ao máximo de distorções de guitarras ou levadas de bateria. Suas músicas, que chegam com facilidade a 9 minutos de duração , têm um efeito melancólico e obtiveram sucesso na tentativa de ser épica. Mérito do piano e teclados de Kjartan Sveinsson e, lógico, das composições e incríveis falsetes de Jónsi, que podem ser facilmente confundidos com uma soprano.

     É bem provável que muitos tenham opiniões divergentes sobre a banda, o que é completamente compreensível. Afinal, o som do grupo contraria todas as atitudes imediatistas do mundo atual. Muitos podem se referir às suas músicas como "aquela chata que nunca acaba", ignorando os objetivos reais da banda. E é entre esses e outros pontos no mínimo interessantes (como a língua inventada pela banda para cantar suas músicas ou o modo de tocar guitarra com arco de violoncelo) que o artigo desenvolve, o mais analítico possível, como essa estranha banda é tão majestosa.


Formação e primeiros anos


     O nome Sigur Rós (que significa algo como 'rosa da vitória'), segundo os integrantes, é uma homenagem à irmãzinha do vocalista Jónsi Birgisson, que se chamava Sigurrós e nasceu no mesmo dia da formação da banda (agosto de 1994). No início, apenas JónsiGeorg Hólm (baixo) e Áugúst Gunnarsson (bateria) integravam o grupo. E foi com essa formação que eles se apressaram para gravar o primeiro álbum Von ("esperança", em islandês), que de pressa não teve nada. Isso porque as gravações demoraram meses e só foi lançada em 1997, sob selo da Smekkleysa, a mesma gravadora que lançou Björk, a celebridade islandesa mais famosa no mundo.

     A primeira impressão que a obra deixou não foi muito boa, nem para os próprios integrantes, que teceram a ideia de descartá-lo e regravar tudo. A ideia só se concretizou em 1998 com o remix chamado Vonbrigði, que adotou tradução de suas músicas em inglês. Mesmo com os meros 313 cd's vendidos da primeira obra, a gravadora continuou com a banda, que teve uma adição importantíssima: o talentoso pianista/tecladista Kjartan Sveinsson. A reformação da banda foi um fator motivacional importante para a preparação do próximo álbum, que mudou totalmente a maneira de como a banda foi vista.


Ganhando a mídia e o reconhecimento

     Em 1999 foi lançado o terceiro álbum da banda, Ágætis Byrju ("um bom começo", em islandês), que foi literalmente uma surpresa. O diretor da gravadora, que esperava a venda de no máximo duas mil cópias se deparou com o patamar internacional, no qual vários críticos aclamavam como o melhor álbum do século. Comparada com as músicas mais experimentais de Radiohead, várias faixas do álbum como a belíssima Staráfur e a bizarra Svefn-g-englar apareceram em seriados e filmes. A angústia épica e melancólica de suas músicas se tornaram perfeitas para cenas de forte emoção na televisão e no cinema.

     O álbum foi bem artesanal: desde o processo de fabricação dos cd's, onde os próprios membros ajudaram a colar a capa; até as composições, que parecem ser feitas com o maior cuidado possível. A música Staráfur, por exemplo, é palindrômica. Isso que dizer que se ela for tocada de trás para frente, terá a mesma sequência de acordes. Jónsi também passou a compor várias músicas em uma lingua inventada por ele, a Vonlenska (algo como "esperançês"). A ideia, segundo ele, é fazer com que a melodia fique exatamente como ele quer, criando a harmonia perfeita. E ele conseguiu.

     Nessa época, o Sigur Rós teve várias chances de aparecer na mídia de massa e se tornar uma banda mais conhecida. Foram, por exemplo, convidados pelos produtores do famoso David Letterman Show para tocar por três minutos no programa. Segundo Jónsi, a banda declinou o convite pelo tempo ser curto demais para suas músicas. Esse compromisso com os valores iniciais da banda, de manter a arte pela arte e não se curvar a interesses industriais, foi muito bem visto pelos fãs. Outro exemplo desse compromisso foi a recusa de contrato com uma gravadora americana, que prometia maior visibilidade para a banda.

Vocalista e guitarrista Jónsi

     Após o término das gravações, o baterista Áugúst saiu para a entrada de Órri Páll, mas isso não mudou de forma alguma a química da banda. Três anos depois, em 2002, lançariam o próximo álbum, com um belo conceito.

Consolidação

     Após o sucesso inesperado de Ágætis Byrju, a banda passou aquele período de encantamento em que tudo o que produzisse era considerado genial. Mas não é por menos: o álbum seguinte não teve nome, nenhuma das canções do álbum eram nomeadas e a contra-capa vinha com várias folhas em branco. A ideia era que o ouvinte inventasse o nome do álbum, das músicas e as letras (que eram em vonlenska, ou seja, não tinham sentido) da forma que lhe convinha. Era uma maneira de expressar seus sentimentos e estado de espírito através das obras de Sigur Rós. A ideia realmente era genial. As músicas, porém, resultaram em uma digestão cada vez mais pesada.

     Foi na gravação desse disco, referido normalmente como '( )', que Jónsi descobriu uma das formas mais estranhas de se tocar guitarra. O antigo baterista Áugúst havia lhe dado um arco de violoncelo de presente, e o baixista Georg tentou tocar em seu baixo com ela. Foi um desastre, mas ao Jónsi tentar em sua guitarra, saiu um som único, que é confundido com o sintetizador nas músicas.

     E a qualidade, claro, permanecia. A banda saiu um pouco da mídia, mas suas músicas ainda estavam lá. Hoppípolla e Glósoli, do quarto álbum Takk... (obrigado...) foram usadas em documentários do Discovery Channel e em outros programas de televisão. Os números de cópia ultrapassavam quinhentos mil facilmente. Isso, para uma banda alternativa islandesa, é impressionante. 

     Em 2006, a banda se juntou a uma equipe para filmar um documentario sobre a banda em seu país. O filme, tão patriótico quanto o próprio grupo, tem apresentações ao vivo e cenas fantásticas do país. O diretor, Dean de Blois, é o mesmo que produziu a animação Lilo & Stitch Como Treinar Seu Dragão.



Último disco e hiato

     O impronunciável Með suð í eyrum við spilum endalaust (Com um barulho nos nossos ouvidos tocamos eternamente), de 2008, foi resultado do fim da ressaca de exposição da banda. Vale ressaltar que essa "exposição" não se refere à cultura pop, ou mídia de massa, mas sim ao mundo da música e aos mais informados. O disco tomou o 1º lugar nas paradas islandesas e teve algum destaque em outros países europeus como Bélgica ou Noruega. 

     O som da banda está mais limpo, como se percebe em Gobbledigook. Tentaram cantar em inglês, mas os membros não são muito familiarizados. Apesar da juventude da banda, os membros de Sigur Rós entraram em um hiato desde 2009. Jónsi havia dito que estavam planejando um sexto álbum, mas só confirmaram que voltariam ao estúdio em 2011. A perspectiva é de um álbum melancólico, disse ele. Totalmente previsível.

     O interessante desse grupo é a elevação do bem estar que ele possibilita. Apesar de suas músicas serem muito parecidas, tem essa originalidade que parece mais uma bênção. Afinal, uma música boa é aquela que modifica seu estado de espírito, e esse é o ponto que Sigur Rós consegue, quase sempre, alcançar.





baixe AQUI a discografia de Sigur Rós

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Banda Do Mês - The Beatles

Biografia e análise das obras dos BEATLES. Mini-documentário ao final do post.


"John, o rebelde; Paul, o romântico; George, o místico; Ringo, o palhaço"



     É fato que eles são a maior banda do mundo (em valor quantitativo). Basta ver os mais de 170 milhões de discos vendidos e os 140.000.000 de resultados da palavra "Beatles" no Google, mais de três vezes a palavra "Osama" - bin Laden. E os números não param por aí. Até hoje, na Era Digital, eles são a banda com mais álbuns baixados no iTunes. Isso é apenas uma amostragem que justifica o título de MELHOR banda do mundo, agora sim, em valor qualitativo. O sucesso alcançado, que chegou a mover uma geração inteira, muitas vezes é encarado como uma mera fase da vida, como disse o guitarrista George Harrison.

     Portanto, exatamente por essa divinização da banda, que é quase impossível para os jornalistas abordarem todos os pontos e as diversas faces dos Beatles sem causar alguma contradição ou esquecer outros pontos. O artigo, assim, tem como objetivo ser breve e mostrar os principais pontos de cada etapa do Fab Four.

     Não perca o mini-documentário no fim do post.


PRÉ-BEATLES

     John Lennon, guitarrista da banda, sempre teve um interesse pela arte, que começou com os poemas típicos de adolescentes. Isso se aperfeiçoou quando, aos 16 anos, ele formou e liderou The Quarryman, um grupo de skiffle (um rock rudimentar tocado em bares e festas) . Um ano se passou até ele conhecer Paul McCartney, que tocava violão em outro grupo de skiffle, e este quis ingressar na banda de Lennon. Ironicamente, Lennon quase não o deixou participar por medo de se sentir fora dos holofotes por causa do talento de Paul.

     Assim a banda prosseguiu por mais um ano até Paul apresentar o jovem George Harrison a Lennon. Paul, pela bondade do destino, tinha conhecido George em um ônibus a caminho da escola, e logo percebeu a semelhança musical com o garoto. George, aos 14 anos (o que quase o impediu de entrar na banda, novamente por conta de Lennon), já  manejava bem a guitarra. 

John, Paul e George antes da formação oficial dos Beatles

     Semi-formado, o protótipo de 'Beatles' também trazia um bom baterista, Pete Best, e um baixista medíocre, que mais tarde saiu. E foi com essa formação que se rebatizaram como The Beatles, em 1960. Aprimoraram seu som, fizeram shows nos bares da Alemanha e tentaram assinar contrato com várias gravadoras. Nenhuma se interessou, apenas Brian Epstein e o produtor George Martin apostaram na banda. Por motivos pessoais, em 1962 o baterista Pete Best saiu deixando o espaço para Ringo Starr, o último integrante. Finalmente, a banda estava pronta para começar a conquistar o mundo.


A ASCENDÊNCIA DOS GAROTOS DE LIVERPOOL


     John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr eram jovens carismáticos considerados "sem sal" e ordinários tocando o bom e velho rock'n roll, com leves arranjos do Pop. E foi nesse clima que a banda se juntou para gravar Please please me, o álbum de estréia. As gravações foram seguidas, como se gravassem um show ao vivo, resultando em uma qualidade de som pobre, mesmo que fosse normal para a época. Esse som, porém, começou a despertar a atenção da mídia. Twist and Shout até hoje é creditada à eles (apesar de ser cover) e Love Me Do e a faixa-título já conferiam um caráter melódico bem característico da banda. O instrumental, porém, ainda deixava muito a desejar; ponto que foi mais que suprido com o passar do tempo.

     Um ano depois, em 1963, e já com uma imagem mais nítida no mercado, o grupo lançou o álbum With The Beatles, no qual repete a mesma forma do anterior: melodias fáceis, metade das músicas eram covers e novamente esbanjavam presença de palco. O carisma nos shows, aliados às letras sobre amor entre jovens foi a fórmula perfeita para o sucesso no público feminino. Neste momento os Beatles já eram referências de outras boy bands. É interessante notar que as canções tiveram um impacto maior, como All My Loving e Mr. Postman.

FAB FOUR - O AUGE DA BEATLEMANIA


     "Foi o nosso auge", disse John Lennon sobre a época em que os Beatles lançaram o filme A Hard Day's Night e seu álbum homônimo. O filme, aliás, tratava exatamente do assédio tanto do público feminino quanto da imprensa. Percebe-se que os "reis do Ié-Ié-Ié" influenciaram uma geração inteira. Isso, ao contrário do que ocorreu no decorrer dos anos, não os incomodava. O álbum, que também foi um sucesso, não trazia muitas surpresas, sendo destaque apenas as harmonias mais rebuscadas, como se pode notar na música If I Feel, e a melhora significante da qualidade de som. A falta de surpresa não quer dizer, obviamente, que se trata de um álbum medíocre, pois tem boas músicas e hits como Can't Buy Me Love. No mesmo ano lançaram o single She Loves You, canção mais vendida até hoje no Reino Unido.

     A demanda pelos jovens na época estava tão grande que não esperaram nem seis meses para, em dezembro de 1964, lançar Beatles For Sale, álbum considerado um retrocesso artístico do grupo. O título se dá pela volta de covers e nenhuma composição forte, exceto Eight Days A Week.

     Mesmo com esse impecilho, o auge perdurou até a viagem aos E.U.A. no tour do álbum Help!. Ao contrário das outras obras, Help! teve uma mudança na sonoridade instrumental da banda, tendo a introdução do piano como ponto forte. Os riffs de guitarra de George Harrison e hits internacionais como Ticket to Ride, a própria faixa-título e Yesterday (simplesmente a música mais regravada do mundo) dão um sabor especial ao cd, que ainda conta com dois covers.

O AMADURECIMENTO


     Em 1965 os Beatles lançaram seu sexto álbum: Rubber Soul, tido como muitos o primeiro passo para o que a banda realmente viria a ser artisticamente. O amadurecimento das letras, como o filosófico Nowhere Man ou a melancolia de Girl, já mostrava o potencial poético de Lennon/McCartney, a dupla compositora mais conhecida do globo. E George, aos poucos, aumentava sua participação como compositor.
     
     A mais real e significativa das mudanças veio em 1966 (honrando a tradição de lançar um álbum por ano), com Revolver. Era a introdução na onda psicodélica e praticamente a afirmação do polêmico envolvimento com drogas. Esse relacionamento com o psicodélico deixaria uma cicatriz em todas as outras músicas da banda, o que, de certa forma, é uma marca registrada (como o vocal de apoio). "Somos um grupo de rock que toca outros gêneros", foi como o baixista Paul justificou o ecletismo das músicas.


     Neste tempo de mudanças que a banda de Liverpool surpreendeu o mundo, mais uma vez, com Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band, que contava com uma orquestração completa conduzida pelo produtor George Martin (que já a experimentara, em menor proporção, em algumas músicas anteriores). Nesse patamar, o grupo já abandonara faz tempo as apresentações ao vivo por causa da complexidade das músicas. Isso incentivou, de certa forma, a valorização do grupo como artístico, estendendo muitas vezes a arte até a própria capa dos cd's.

     O Magical Mystery Tour usou uma fórmula parecida do álbum anterior, mas arriscou também lançar um filme psicodélico a ponto de parecer ridículo. As músicas, pelo contrário, estavam cada vez mais emplacando nas paradas do mundo inteiro. Hello, Goodbye, Penny Lane, All You Need is Love e Strawberry Fields, por exemplos, são consideradas umas das melhores músicas deles.


O INÍCIO DO FIM


     1968 com certeza não foi o melhor ano para os Beatles. A morte de seu empresário em meados de 1967 abalou o grupo a ponto de atrapalhar a criatividade. Como solução, o guitarrista George Harrison, muito envolvido com a religião hindu, sugeriu uma viagem com o grupo para a Índia para reflexão e busca espiritual. Conseqüentemente, o isolamento e o tédio reavivou a criatividade dos membros, que usaram a composição para, de alguma forma, retomar a rotina. Assim surgiu The Bealtes (White Album), um álbum com 22 canções muito individuais que mais parece um protótipo de como seriam as obras pós-Beatles dos integrantes. Até Ringo se arriscou em uma composição, a divertida Don't Pass Me By.

     O clima de desunião não havia acabado quando produziram Yellow Submarine, o menos preferido do público (perdão pelo eufemismo forçado). O álbum nada mais é que uma coletânea de sucessos antigos (como Yellow Submarine e All You Need Is Love), músicas engavetadas e música erudita composta por George Martin.


     Mesmo com essa certa reprovação do álbum, é interessante notar mesmo sem essa harmonia emocional dos integrantes a química da banda estava sempre melhorando, nunca deixando a qualidade das músicas decair.

ÚLTIMOS PROJETOS


     Novo líder da banda quase que por inércia, Paul McCartney tentou levantar a moral novamente com o projeto Get Back, no qual retomaria as origens da banda tanto na questão instrumental quanto nas apresentações, resultando no lendário último show no telhado. Infelizmente, o projeto fracassou e alimentou ainda mais o ego dos membros. O resultado material, porém, não decepcionou. Let It Be - nome que acabou substituindo o projeto Get Back - é uma obra impecável tanto nas composições quanto em harmonia (que teve críticas por não ser produzido pelo até então onipresente George Martin).


    Esses pequenos desencontros acabou levando o filme/álbum a uma demora de quase dois anos para ser lançado (1970), causando uma certa incongruência na linha do tempo. Isso porque o último álbum gravado e obra-prima do grupo, Abbey Road, acabou sendo lançando ainda em 1969.

     Este último álbum foi o show de despedida. Show tanto no sentido de qualidade sonora, musical e no impacto na mídia - com um destaque com "d" maiúsculo para a evolução nas composições de George Harrison. Foi desta forma que acabou aquele conjunto de jovens com o mesmo corte de cabelo que levavam as meninas à loucura, que cresceram e ajudaram a cultura a crescer, que amadureceram e ajudaram a cultura  amadurecer. Como disse Paul na poética The End, "no final o amor que você recebe é equivalente ao amor que você dá".

A capa do Abbey Road é uma das imagens mais famosas do mundo

     O ponto final, surpreendente, foi quando George, Paul e Ringo se reuniram  anos depois, sendo que John já havia morrido, e regravaram algumas músicas (duas compostas por Lennon antes da morte, por sinal) e lançaram o Anthology, quase como uma flor no túmulo da maior banda do mundo.

     Curta agora um mini-documentário resumindo a carreira da banda:



BAIXE aqui os álbuns de The Beatles

quinta-feira, 31 de março de 2011

Banda Do Mês - The Killers

Biografia e análise das obras do THE KILLERS. Mini-documentário ao final do post.



  
     Imagine que você esteja em um hotel, e o porteiro te ajuda com as malas. Você olha mais atentamente pro porteiro. E olha de novo. Duvido que você imaginasse que esse porteiro poderia ser uma estrela do rock. Pois foi assim que Brandon Flowers, vocalista do The Killers, trabalhou por um certo tempo em Las Vegas, a cidade dos cassinos. Mas ele também era tecladista de uma banda, até se separar dela por divergências sobre o rumo da banda. Foi depois dessa separação que Brandon começou a traçar o caminho que culminaria na formação de uma das bandas mais queridas e criativas do globo atual.
  
     "Procura-se um tecladista, compositor e cantor criativo pra caramba para formar a melhor banda do ano." Com certeza não foi assim, mas foi através de um anúncio em um jornal que o guitarrista Dave Keuning procurava formar uma banda. Os requisitos era tocar algum instrumento e ter The Cure, The Bealtes, U2, New Order, entre outros, como inspirações. E, pela força do destino, Brandon foi o único que repondeu o anúncio.

Você não imaginaria que um porteiro seria uma estrela do rock.


     Já no primeiro encontro eles trabalharam no que seria seu primeiro sucesso: Mr. Brightside. Keuning tinha composto o verso, e Brandon completou com o refrão. Pouco tempo depois ele convocaram o resto dos integrantes da banda: Ronnie Vannuccie, que estudava percussão clássica, e Mark Stoermer, baixista. E logo o grupo começou a ensaiar na casa de Ronnie, quando se sentiram preparados para tocar nos cassinos e festas noturnas de Las Vegas. Nestes shows que a banda chamou a atenção dos caça-talentos e produtores musicais. Um deles chegou a gravar uma demo e enviou para a gravadora Lizard King, em Londres, que lança muitas bandas independentes no mercado. E a partir daí que o grupo teve a chance de mostrar todo seu pontencial no primeiro álbum, Hot Fuss.

     Atualmente, há uma discussão em pauta que fala sobre a velocidade do mundo globalizado hoje, como tudo ficou mais fácil. E essa banda se encaixa perfeitamente no perfil. Em apenas dois anos eles sairam do quarto de Ronnie para os palcos do mundo. "Mr Brightside" foi uma explosão, alcançado o primeiro lugar em vários países. E outros hits do álbum, como "Smile Like You Mean It", "All This Things That I've Done" e "Somebody Told Me", mostram que a banda formada por um simples porteiro, na verdade, pode ser um grande sucesso.



     A banda teve dois anos para fazer suas turnês, compor e ensaiar novas músicas. Agora com o selo do Island Records, ela lançou em 2006 um dos álbuns mais envolventes do ano, Sam's Town. Ou, segundo o egocêntrico mórmom de 1,75 de altura, Brandon Flowers, "este é um dos melhores álbuns dos últimos 20 anos. Nada pode abalar este álbum". O álbum traz mais guitarras, e destaco aqui músicas ousadas por sua estrutura pouco ordinária, como "Exterlude/Enterlude" e "My List". Mas também é referência em boas melodias, com "Read My Mind", "When You Were Young" e "Bones", que teve até um clipe dirigido por Tim Burton. Foi nesse álbum que a banda definiu o modo de se vestir e uma sonoridade mais consistente.

     Seguindo o padrão, dois anos depois foi lançado Day & Age, que traz uma influência muito clara dos ritmos dançantes dos anos 80, com muito sintetizador. O primeiro single, "Human", causou um estranhamento, mas logo alcançou um reconhecimento maior.

Sessão fotográfica para o álbum Day & Age.


     O interessante de The Killers é que eles não se limitam à obras para álbuns, eles tem uma grande quantidade de singles, featuring e covers, fora os especiais de Natal que gravam todo ano (os quais destaco "Joseph, Better You Than Me" e "Don't Shoot Me Santa"). Eles chegaram a  juntar um tanto dessas obras e lançar em uma compilação chamada Sawdust, em 2007.


     É estranho para os fãs estar em 2011 e não ter ainda nenhum outro cd mais novo. Parece que quebraram a tradição de lançar álbuns a cada dois anos. Isso porque Brandon resolveu arriscar um álbum solo, em 2010. Não quer dizer, graças a Deus, que a banda se desitegrou. É apenas uma experiência do ex-porteiro. O álbum conta o o hit "Crossfire", mas não chega perto do que seria uma obra da banda completa.

     Essa é a história de uma banda que conquistou os amantes do indie rock e até dos 'popeiros'. É incrível como as coisas se arrumam para um resultado final fantástico. Quem sabe se Dave simplesmente não quisesse colocar o anúncio no jornal. Ou Brandon continuasse na banda antiga? O importante é que o que aconteceu, aconteceu. E aconteceu, por sinal, muito bem!

     Você pode curtir um mini-documentário que eu fiz resumindo a biografia da banda, com fotos, entrevistas e muito mais.


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